A parede fundeira da igreja esteve totalmente revestida a pintura a fresco até que, em altura indeterminada, a colocação de um retábulo em madeira levou à sua ordenada picagem.
Os fragmentos que resistiram a esta intervenção apresentavam grande coesão dos rebocos e ótima aderência ao seu suporte, exceto numa pequena zona.

A pintura, segundo os técnicos que efetuaram a recuperação, representaria seis anjos músicos, três de cada lado do nicho central, com os superiores a tocar instrumentos de sopro e os dois inferiores a tocar harpa.
Não é possível perceber para quem os anjos superiores dirigem o olhar, em virtude da destruição da zona de fecho. As paredes laterais do nicho são cobertas por pintura decorativa de paleta reduzida sobre fundo negro, sendo percetível uma outra decoração subjacente.
A abertura de duas “janelas” nas paredes laterais do nicho permitiu encontrar uma ótima coesão de rebocos com uma grande usura da camada cromática, executada a fresco, tal como a dos anjos. Por cima encontra-se uma pintura a têmpera.
Para proteger a camada cromática de fraca coesão utilizaram-se esponjas na limpeza a seco, com particular insistência nas zonas brancas e de cor, para acentuar o contraste com o fundo negro. Já a pintura subjacente foi limpa por via húmida.
Nem todas as lacunas foram preenchidas com argamassa de cal e areia de baixa granulometria, por se ter descoberto, na zona superior do lado direito, vestígios de uma anterior pintura a fresco.

Esta descoberta é consentânea com a existência de uma parede fundeira anterior.
Efetuou-se a reintegração cromática, a aguarela, das pequenas lacunas da camada cromática da pintura mais recente, sendo que não se procedeu a idêntico processo na pintura subjacente.
As juntas da parede fundeira receberam uma argamassa de cal e areia de média granulometria no enchimento em profundidade, após a qual foram objeto de nivelamento através da aplicação da mesma argamassa utilizada nas paredes laterais. Aplicaram-se, de seguida, duas caiações para apagar os vestígios de tinta plástica azul-escuro, concluindo-se com uma caiação levemente pigmentada com terras.
A limpeza da pintura da parede fundeira da capela-mor foi efetuada pela via húmida, antes de se proceder à sua consolidação.
A pintura de fresco foi executada sobre um reboco de pouca espessura, sendo a paleta cromática reduzida a branco, negro, terras e azul do fundo. Provavelmente por não ter gostado da intensidade do azul, o artista aplicou-lhe, de seguida, uma fina camada de água de cal, de maneira a atenuá-lo.
As paredes laterais da capela-mor receberam, primeiramente, uma caiação branca, seguindo-se uma camada de argamassa de cal e areia de baixa granulometria nas juntas, para anular o grande desnível existente entre o preenchimento com cimento, mas sem qualquer preocupação de nivelamento total.
Aplicou-se, seguidamente, uma primeira caiação de cal pigmentada, idêntica à utilizada na parede fundeira do nicho, e uma segunda caiação de cal pigmentada apenas nas pedras.